<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158</id><updated>2012-02-17T01:16:00.190-02:00</updated><title type='text'>Artigos na Web</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-7225205253614032104</id><published>2011-08-22T19:03:00.000-03:00</published><updated>2011-08-22T19:04:46.364-03:00</updated><title type='text'>Os sem-iPad</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;A "culpa" do que ocorre em Londres não é do consumo. Muitos se acostumaram a ser tratados como bebês&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Você sabia que agora existe em Londres o movimento dos sem-iPad?  Coitadinhos deles. Quebram tudo porque a malvada sociedade do consumo os  obriga a desejar iPads... No passado todo mundo era "obrigado" a  desejar cavalos, tecidos de seda, especiarias, facas, tambores, ouro,  mulheres...&lt;br /&gt;Como ficam as pessoas que desejam, não têm, mas nem por isso saqueiam  lojas, mas sim trabalham duro? Seriam estes uns idiotas por saberem que  nem tudo que queremos podemos ter e que a vida sempre foi dura? &lt;br /&gt;Esta questão é moral. Dizer que não é moral é não saber o que é moral,  ou apenas oportunismo... moral. Resistir ao desejo é um problema de  caráter. Um dos pecados do pensamento público hoje é não reconhecer o  conceito de caráter. &lt;br /&gt;Logo existirão os "sem-Ferrari", os "sem-Blackberry", os "sem-Prada"  também? Que tal um "bolsa Blackberry"? Devemos criar um imposto para os  "sem-Blackberry"? &lt;br /&gt;Na Inglaterra, dizem, existem famílias que nunca trabalharam vivendo  graças ao governo há gerações. É, tem gente que ainda não aprendeu que  não existe almoço de graça.&lt;br /&gt;Mas esse fenômeno de querer desculpar todo mundo da responsabilidade  moral do que faz não é invenção de quem hoje justifica a violência em  Londres clamando por justiça social na distribuição de iPads. &lt;br /&gt;É conhecida a passagem na qual o "homem do subsolo" no livro "Memórias  do Subsolo", de Dostoiévski, abre suas confissões dizendo que é um homem  amargo. Em seguida, alude à teoria comum de que ele assim o seria por  sofrer do fígado. Logo, a culpa por ele ser amargo seria do fígado.&lt;br /&gt;Ele recusa tal desculpa para sua personalidade insuportável e prefere  assumir que é mesmo um homem mau. Eis um homem de caráter, coisa rara  hoje em dia.&lt;br /&gt;Agora, todo mundo gosta de "algum fígado" (a sociedade de consumo, o  patriarcalismo, a Apple) que justifique suas misérias morais.&lt;br /&gt;O profeta russo percebeu que as ciências preparavam uma série de teorias  que tirariam a responsabilidade do homem pelos seus atos.&lt;br /&gt;A moda pegou nos jantares inteligentes e hoje temos vários tipos de "teorias do fígado" para justificar nossas misérias morais.&lt;br /&gt;Uma delas é a teoria de que somos construídos socialmente.&lt;br /&gt;Dito de outra forma: O "sujeito é um constructo social". Logo, quebro  loja em Londres porque fui "construído" para enlouquecer se não tenho um  iPad. Tadinho...&lt;br /&gt;Tem gente por aí que tem verdadeiro orgasmo com essa bobagem.&lt;br /&gt;Não resta dúvida de que há algo verdadeiro na ideia de que somos influenciados pelo meio em que vivemos. &lt;br /&gt;Por exemplo, se você nasce numa favela, isso não vai passar  "desapercebido" nos seus modos à mesa, no seu comportamento cotidiano e  nas suas expectativas e possibilidades na vida.&lt;br /&gt;Mas aí dizer que "o sujeito é um constructo social" é pura picaretagem  intelectual. Ninguém consegue ou conseguirá provar isso nunca, mas quem  precisa de "provas" quando o que está em jogo são as ciências humanas,  que de "ciência" não têm nada.&lt;br /&gt;Esse blábláblá não só exime o sujeito da responsabilidade moral, como  abre a porta para todo tipo de "experimento" psicossocial, político ou  justificativa moral, que, na realidade, serve pra qualquer um inventar  todo tipo de conversa fiada em ciências humanas "práticas".&lt;br /&gt;Por que tanta gente adora essa teoria? Suponho que, antes de tudo, o  alivie de ser você e coloque a "culpa" de você ser você no pai, na mãe,  na escola, na vizinha, na sociedade, no consumo, na igreja, no  patriarcalismo, no machismo, na cama de casal, no iPad, no diabo a  quatro. Menos em você. &lt;br /&gt;Temos aí uma prova de que grande parte das ciências humanas não reconhece o conceito de caráter. &lt;br /&gt;Moral é exatamente você resistir a impulsos que outras pessoas, sem caráter, não resistem. Já leu Aristóteles? Kant?&lt;br /&gt;A "culpa" do que hoje acontece em Londres não é do consumo. Homens  sempre quebram coisas de vez em quando e querem coisas sem esforço. As  causas podem variar. Hoje em dia, seguramente, uma delas é que muita  gente está acostumada a um Estado de bem estar social que os trata como  bebês. &lt;br /&gt;A preguiça, sim, é um traço universal do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Folha em 22/08/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-7225205253614032104?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/7225205253614032104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/08/os-sem-ipad.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/7225205253614032104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/7225205253614032104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/08/os-sem-ipad.html' title='Os sem-iPad'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-3623553194378286085</id><published>2011-07-18T09:59:00.000-03:00</published><updated>2011-07-18T10:00:13.785-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;A tentação totalitária    &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt; Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do "bem total", depois você vira autoritário em nome dele  &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  VOCÊ SE considera uma pessoa totalitária? Claro que não, imagino. Você deve ser uma pessoa legal, somos todos.&lt;br /&gt; Às vezes, me emociono e choro diante de minhas boas intenções e me  pergunto: como pode existir o mal no mundo? Fossem todos iguais a mim, o  mundo seria tão bom... (risadas).&lt;br /&gt;Totalitários são aqueles skinheads que batem em negros, nordestinos e gays.&lt;br /&gt;Mas a verdade é que ser totalitário é mais complexo do que ser uma caricatura ridícula de nazista na periferia de São Paulo.&lt;br /&gt;A essência do totalitarismo não é apenas governos fortes no estilo do fascismo e comunismo clássicos do século 20.&lt;br /&gt;Chama minha atenção um dado essencial do totalitarismo, quase sempre  esquecido, e que também era presente nos totalitarismos do século 20.&lt;br /&gt;Você, amante profundo do bem, sabe qual é? Calma, chegaremos lá.&lt;br /&gt;Você se lembra de um filme chamado "Um Homem Bom", com Viggo Mortensen,  no qual ele é um cara legal, um professor universitário não simpatizante  do nazismo (o filme se passa na Alemanha nazista), e que acaba sendo  "usado" pelo partido?&lt;br /&gt;Pois bem. Neste filme, há uma cena maravilhosa, entre outras. Uma cena  num parque lindo, verde, cheio de árvores (a propósito, os nazistas eram  sabidamente amantes da natureza e dos animais), famílias brincando,  casais se amando, cachorros correndo, até parece o Ibirapuera de  domingo.&lt;br /&gt;Aliás, este é um dos melhores filmes sobre como o nazismo se implantou  em sua casa, às vezes, sem você perceber e, às vezes, até achando legal  porque graças a ele (o partido) você arrumaria um melhor emprego e mais  estabilidade na vida.&lt;br /&gt;Fosse hoje em dia, quem sabe, um desses consultores por aí diria, "para ter uma melhor qualidade de vida".&lt;br /&gt;E aí, a jovem esposa do professor legal (ele acabara de trocar sua  esposa de 40 anos por uma de 25 -é, eu sei, banal como a morte) o puxa  pelo braço querendo levá-lo para o comício do partido que ia rolar  naquele domingão no parque onde as famílias iam em busca de uma melhor  qualidade de vida.&lt;br /&gt;Mas ele não tem nenhuma vontade de ir para o comício porque sente um  certo "mal-estar" com aquilo tudo. Mas ela, bonita, gostosa, loira,  jovem e apaixonada (não se iluda, um par de pernas e uma boca vermelha  são mais fortes do que qualquer "visão política de mundo"), diz: "meu  amor, tanta gente junta querendo o bem não pode ser tão mal assim".&lt;br /&gt;É, meu caro amante do bem, esta frase é uma das melhores definições do  processo, às vezes invisível, que leva uma pessoa a ser totalitária sem  saber: "quero apenas o bem de todos".&lt;br /&gt;Aí está a característica do totalitarismo que sempre nos escapa, porque  ficamos presos nas caricaturas dos skinheads: aquelas pessoas, sim, se  emocionavam e choravam diante de tanta boa vontade, diante de tanta  emoção coletiva e determinação para o bem.&lt;br /&gt;Esquecemos que naqueles comícios, as pessoas estavam ali "para o bem".&lt;br /&gt;Se você tem absoluta certeza que "você é do bem", cuidado, um dia você  pode chorar num comício achando que aquilo tudo é lindo e em nome de um  futuro melhor.&lt;br /&gt;E se essa certeza vier acompanhada de alguma "verdade cientifica" (como  foi comum nos totalitarismos históricos) associada a educadores que  querem "fazer seres humanos melhores" (como foi comum nos totalitarismos  históricos) e, finalmente, se tiver a ambição política, aí, então, já  era.&lt;br /&gt;Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando  ciência (o ideal da verdade), educação (o ideal de homem) e política (o  ideal de mundo), estamos diante da essência do totalitarismo.&lt;br /&gt;O que move uma personalidade totalitária é a certeza de que ela está  fazendo o "bem para todos", não é a vontade de destruir grupos  diferentes do dela.&lt;br /&gt;Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do "bem total", depois você vira autoritário em nome desse bem total.&lt;br /&gt;O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um  "outro bem", mas a dúvida acerca do que é o bem, aquilo que desde  Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes  políticas.&lt;br /&gt;Não confio em ninguém que queira criar um homem melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Folha em 18/07/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-3623553194378286085?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/3623553194378286085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/07/luiz-felipe-ponde-tentacao-totalitaria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3623553194378286085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3623553194378286085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/07/luiz-felipe-ponde-tentacao-totalitaria.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-8545040832531916279</id><published>2011-04-12T20:14:00.000-03:00</published><updated>2011-04-12T20:15:31.062-03:00</updated><title type='text'>Homens inteiros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;JOÃO PEREIRA COUTINHO &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px; width: 249px; height: 113px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Em "Homens e Deuses", filme de Xavier Beauvois, aprendemos que a fé é uma forma de coragem &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   POIS É: a Europa pode estar em crise, economicamente falando, mas  por vezes ainda existem uns sopros  de vitalidade. Artística, entenda-se, vitalidade artística. Valha-nos ao  menos isso.&lt;br /&gt;O cinema francês é um caso e os  brasileiros podem comprovar o que  digo. Basta que assistam ao filme de  Xavier Beauvois, "Homens e Deuses", que finalmente desembarcou  nas salas do Brasil [estreia nesta  sexta]. A Páscoa sempre foi um tempo de milagres.&lt;br /&gt;Comentário breve: é a melhor colheita cinematográfica de 2011 até o  momento. Desconfio que será a melhor nos meses que faltam.&lt;br /&gt;Comentário longo: é muito mais  que um exercício piedoso e ecumênico sobre a tolerância religiosa e  interreligiosa, como dizem os críticos.&lt;br /&gt;É um filme sobre a fé, esse tema  arcano e intangível que povoa o melhor cinema dos "mestres do norte",  como Carl Dreyer (1889-1968) ou  Ingmar Bergman (1918-2007).&lt;br /&gt;E ainda oferece, como complemento, a mais bela "última ceia"  que o cinema recente produziu. Mas  vamos por partes.&lt;br /&gt;Premiado no Festival de Cannes,  "Homens e Deuses" é a história,  aparentemente simples, da vida  simples de oito monges cistercienses que vivem, rezam e trabalham  em país do norte de África.&lt;br /&gt;Vivem em paz entre si e, mais importante, com a população muçulmana  local, que acorre ao mosteiro  em busca de consolo físico e até metafísico -cuidados de saúde,  conselhos sentimentais, comentários religiosos. O fato de uns lerem a  Bíblia e  outros o Corão não impede uma irmandade sacramental perante as  perplexidades da existência.&lt;br /&gt;Mas essa concórdia será abalada  por aqueles que transformam a religião em arma de guerra. O  fundamentalismo islâmico começa a rondar a aldeia. Os terroristas  também.  Existem notícias de massacres contra estrangeiros, mulheres, imãs.&lt;br /&gt;A população é tomada pelo medo. Os monges são avisados pelas  autoridades nacionais: para que  partam de imediato, antes que a tragédia se abata sobre o mosteiro.  Avisos sábios.&lt;br /&gt;Mas como partir assim, de uma  hora para a outra, abandonando a  aldeia ao seu destino? E partir para  onde, se a existência trapista implicou o abandono e a renúncia de  uma vida anterior?&lt;br /&gt;São dilemas terríveis e o melhor  do filme está nessas agônicas indecisões. E no calvário espiritual que  elas implicam: o confronto humano,  demasiado humano, com o medo,  com a covardia e até com a descrença. "Morrer pela fé não deveria impedir-me de dormir", diz um dos  monges insones ao irmão superior,  com lágrimas de vergonha. Mas será possível pedir tanto a tão poucos?&lt;br /&gt;A resposta vem no Livro: esse tanto já foi pedido a um só. E não é por  acaso que o primeiro confronto com  os terroristas se dá na noite de Natal. A noite em que os monges se  preparam para celebrar um nascimento humilde que libertou os homens  da morte. E do medo da morte.&lt;br /&gt;Libertação do medo da morte:  haverá forma mais eloquente de traduzir a fé dos que acreditam?&lt;br /&gt;O irmão superior, em comunicação final aos demais, responde e  clarifica: depois da primeira visita  dos terroristas, e antes que a última  se aproxime, ele entendeu que só  havia uma coisa a fazer. Continuar.&lt;br /&gt;Dia após dia, com tarefas de todos os dias: cuidar dos doentes; cuidar dos irmãos; cuidar do mosteiro.&lt;br /&gt;E abandonar todo o medo da  morte porque só nesse abandono é  possível nascer e renascer outra vez.  Como homens inteiros, para quem a  vida não é uma desculpa ou um castigo; mas um compromisso até o  fim.&lt;br /&gt;Não conto esse fim, filmado sob  neve e em silêncio. Prefiro regressar  ao mosteiro e vislumbrar, naquelas  oito vidas, a metáfora essencial sobre as nossas próprias vidas.&lt;br /&gt;Como os monges, caminhamos  sobre gelo fino, que um dia se abrirá  para nós também. Mas poucos se  lembram dessa verdade que nulifica toda vaidade humana.&lt;br /&gt;E, quando a lembramos, é para  fugir desesperadamente dela com  simulacros de esquecimento -a  tentação da covardia que visitou os  irmãos e por eles foi derrotada.&lt;br /&gt;No primoroso filme de Xavier  Beauvois, aprendemos que a fé é sobretudo uma forma de coragem: a  coragem dos que olham a morte de  frente e, apesar disso, ou talvez por  causa disso, se recusam ir a enterrar antes do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulicado na Folha em 12/04/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-8545040832531916279?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/8545040832531916279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/04/homens-inteiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/8545040832531916279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/8545040832531916279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/04/homens-inteiros.html' title='Homens inteiros'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-3441762067275218918</id><published>2011-04-11T16:16:00.000-03:00</published><updated>2011-04-11T16:17:25.888-03:00</updated><title type='text'>Nós, os pterodátilos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt; Como deixar uma "prova fóssil" do fracasso afetivo de nossa espécie? Isso é completamente impossível  &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  UM DIA a espécie humana desaparecerá pelo menos tal como a conhecemos.  Não, não me converti ao bloco dos maníacos de 2012 ou ao fanatismo  verde.&lt;br /&gt;Falo de "ciência". Falo da peça  "Pterodátilos", em cartaz no Teatro  Faap, com Marco Nanini e maravilhoso elenco. Trata-se de um texto  que finca suas bases numa interpretação poética trágica da teoria evolucionista.&lt;br /&gt;Você sabe, caro leitor, que o mundo está dividido entre aqueles ingênuos  que acham que mãe é sinônimo de amor e aqueles realistas que  sabem que existem mães que não  deveriam ser mães. Sim, existem  mães predadoras de filhos.&lt;br /&gt;Não existe tal coisa como instinto  amoroso materno universal. Algumas mães vivem a maternidade como destruição sistemática de seus  filhos. E quase sempre essa anulação afetiva dos filhos vem travestida  de "amor".&lt;br /&gt;Mas qual seria a relação entre isso e o darwinismo? Calma, tome  mais um gole de café. Coma um pãozinho quentinho. Mas não se esqueça da  silhueta e que se você engordar uns quilinhos, você vai perder  valor no mercado dos afetos...&lt;br /&gt;O antropólogo americano Ernest  Becker, escrevendo uma obra na  fronteira entre darwinismo e psicanálise nos anos 60 e 70, já havia  apontado para um fato importante  com relação à espécie humana: somos a única espécie que além de enfrentar um meio ambiente externo,  tem que enfrentar um meio ambiente interno.&lt;br /&gt;Mente, psiquismo, cérebro, alma,  tanto faz como você chame, vivemos  em dois mundos, um material, físico, externo, e um outro, composto de  experiências internas tais como afeto, ideias, reflexões, medos, esperanças. Este é o meio ambiente interno.&lt;br /&gt;Ao longo de nossa trajetória evolucionária de milhares e milhares de  anos (é sempre bom lembrar esse  pequeno detalhe para essa moçada  que acha que a vida começou com a  Revolução Francesa ou com Marx e  Foucault ou com o "Capital"), nós  nos adaptamos a um equilibro sofisticado de pesos e contrapesos afetivos, dependentes de como somos  tratados e de como tratamos os outros além, claro, da constante agressão do meio ambiente, este mesmo  que os fanáticos verdes acham que é  feito de substância angelical.&lt;br /&gt;Um modo comum de se referir a  este mundo interno é "emotional  bonds" (laços emocionais ou afetivos). Claro que uma relação sofisticada e sutil entre pensamentos e  afetos também faz parte deste  "mundo". Daí decorre o modo de como reagimos ao meio ambiente social e psicológico.&lt;br /&gt;Dizem os darwinistas, mesmo a  vida moral (isso que hoje está na  moda chamar de "valores", apesar  de que todo mundo mente sobre esses tais "valores") é fruto desses  "emotional bonds".&lt;br /&gt;Penso como o dramaturgo romeno Ionesco: é a condição humana  que determina a condição social e  não o contrário. Acho que a teoria  evolucionista captura melhor essa  condição humana do que o blábláblá das ciências sociais.&lt;br /&gt;Voltemos à peça. Pterodátilo era  um tipo de pássaro pré-histórico.  Um tipo de dinossauro com asas.  Durou muito tempo. De repente sumiu. Por quê? Ninguém sabe.&lt;br /&gt;Na peça a analogia entre a família protagonista e essas aves extintas é a  chave da interpretação poética trágica da evolução humana. Um  dia também podemos sumir sem  "causas aparentes". Como deixar  uma "prova fóssil" do fracasso afetivo da espécie? O fracasso afetivo é  invisível, mas palpável como a dor.&lt;br /&gt;A mãe da família (interpretada  maravilhosamente por Mariana Lima) é a chave do processo de "extinção" da família-humanidade. Uma  mãe predadora dos filhos. Tema datado? Nem tanto. O horror é sempre  um clássico, mesmo para os cínicos.&lt;br /&gt;Egoísta, desequilibrada, fútil (esquece o nome da filha o tempo todo), pedófila, infiel, incestuosa com  o filho gay (aliás, a temática homossexual surge no enredo de modo  dramático, estranho para uma época como a nossa na qual está "proibido pensar" no homossexualismo  para além de "é lindo"), promíscua,  enfim, um fracasso afetivo que reproduz seu fracasso em "escala evolucionária".&lt;br /&gt;O destino de nossa espécie pode  não ser apenas função da devastação de florestas, mas também da  devastação do afeto que fica invisível no cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Folha em 11/04/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-3441762067275218918?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/3441762067275218918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/04/nos-os-pterodatilos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3441762067275218918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3441762067275218918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/04/nos-os-pterodatilos.html' title='Nós, os pterodátilos'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-6200337158740413243</id><published>2011-04-04T19:13:00.000-03:00</published><updated>2011-04-04T19:14:50.094-03:00</updated><title type='text'>O parque temático do bem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;O marketing é a ciência definitiva do inicio deste século, não a sociologia nem tampouco a política&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   POR QUE existem guerras? Porque  gostamos de matar. Resposta pouco  simpática, mas definitiva.&lt;br /&gt;Penso como o crítico literário norte-americano Edmund Wilson (século  20): as guerras não são causadas primariamente por razões políticas ou  econômicas, estas são apenas o que na filosofia chamamos de  "causas ocasionais" (isto é, a oportunidade que aparece para realizarmos  as verdadeiras causas primárias de nossas atitudes).&lt;br /&gt;A verdadeira causa primária é  biológica: gostamos de matar e  pronto.&lt;br /&gt;O governo britânico lançou na mídia imagens de seus aviões bombardeando  tanques das forças pró-Gaddafi na Líbia. Imagens como essas dão crédito  para o marketing  moral e político do Reino Unido:  "Olhem como não matamos civis,  somos legais".&lt;br /&gt;Perguntado certa feita sobre a  morte de civis em combate, o primeiro-ministro de Israel Bibi Netanyahu  teria dito "Alguém perguntou aos  britânicos quantos civis alemães  mataram em seus bombardeios?".&lt;br /&gt;Todo mundo sabe como guerra é,  mas hoje em dia querem dizer que  guerra pode ser combatida puxando o cabelo do inimigo. O mundo virou um "parque temático do bem".&lt;br /&gt;O marketing é a ciência definitiva  do inicio deste século. Se quisermos  entender a política e a moral, devemos voltar nossos olhos para o marketing e não mais para a sociologia  ou para a ciência política. Estas são  ciências caducas para as sociedades contemporâneas.&lt;br /&gt;Desde o século 18 a filosofia política, em grande parte, virou conversa de "teenager". Coisas como "o  homem é bom e a sociedade o perverte" é conversa para boi dormir.&lt;br /&gt;Sabe-se desde as cavernas que a  vida moral comporta um tanto de hipocrisia, sem a qual seríamos  obscenamente amorais. Mas o problema é que, desde Rousseau, a hipocrisia  contaminou o mundo da filosofia política. Por quê? Porque ele  criou a política para o mundo como  parque temático do bem.&lt;br /&gt;É ridículo ver como a classe intelectual, artística, e muitos profissionais da mídia se acham uma reserva  moral da sociedade. Hábito nefasto  porque corrói o pensamento público  desde a raiz. Faz de cada um de nós  um marqueteiro de nosso próprio  pensamento.&lt;br /&gt;Intelectuais, artistas e jornalistas  aderiram a todas as diferentes formas de totalitarismos desde o século 18. Mas não todos, graças a Deus  e a coragem de alguns de resistir às  glórias de fazer parte da torcida e do  rebanho.&lt;br /&gt;Mas a mentira social não é privilégio da elite intelectual de um país.  Se René Descartes, filósofo francês  do século 17, disse que a razão foi  dada a todos os homens em "quantidades iguais", deveríamos acrescentar,  mais ao modo de outro filósofo francês do século 17, Blaise Pascal, que o  pecado, sim, foi dado a todos em "quantidades iguais".&lt;br /&gt;Aliás, suspeito que a razão não foi  dada em "quantidades iguais" a todos os homens, mas, sim, o pecado.  Nada disso significa que devemos  bater palmas para as guerras. Significa que devemos resistir à praga  do modo "teenager" de pensar e dizer a verdade: gostamos de matar.&lt;br /&gt;O argumento de Rousseau segundo o qual temos um "sentido empático" para o sofrimento alheio (isto  é, sentimos junto com o outro seu  sofrimento e daí agimos em defesa  dele) é uma piada de mau gosto. Só  reagimos à violência quando ela  põe a nós mesmos (ou nossos interesses) em risco.&lt;br /&gt;Sabe-se muito bem que filhos e  cônjuges de pessoas que ajudaram  vítimas do nazismo (ou qualquer  outro sistema de violência) detestavam a atitude moral do "idiota da  família" que colocava o cotidiano  da família em risco para ajudar estranhos. Sempre que situações como  essas se repetirem, a maioria esmagadora das pessoas fará o mesmo. E  odiará quem não fizer.&lt;br /&gt;Muita gente sai gritando quando  isto é dito, movida apenas, em segredo, pela sagrada mentira social  que sustenta a imagem pública de  nós mesmos.&lt;br /&gt;Genocídio é um horror, mas é a  constante da humanidade e não a  exceção. Preste atenção: quantos  períodos históricos existiram sem  algum genocídio? Nenhum ou talvez alguns minutos.&lt;br /&gt;Cada um de nós está sentado sobre ossos. Ganhamos tecnologia,  dinheiro, ciência e espaço com  guerras. O gosto de sangue é o motor da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Folha em 04/04/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-6200337158740413243?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/6200337158740413243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/04/o-parque-tematico-do-bem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/6200337158740413243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/6200337158740413243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/04/o-parque-tematico-do-bem.html' title='O parque temático do bem'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-6146997655996617772</id><published>2011-03-15T13:50:00.000-03:00</published><updated>2011-03-15T13:51:09.324-03:00</updated><title type='text'>Deus é verde</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;JOÃO PEREIRA COUTINHO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;É um silêncio de resignação e horror. Nada há a dizer ou a explicar, exceto enterrar os mortos e cuidar dos vivos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O TERREMOTO de Lisboa de 1755  não foi apenas um terremoto. Foi  uma trágica, devastadora e assaz  perfeita confluência de desastres. A  terra tremeu. O fogo veio a seguir e  devorou as casas. Finalmente, o  mar devorou a cidade.&lt;br /&gt;Foi então que a inteligência europeia, com Voltaire à cabeça, formulou  uma questão básica sobre a matéria: como é possível que Deus tenha  permitido semelhante barbaridade? As palavras de Voltaire correram a  Europa e "Lisboa", a palavra,  ganhou ressonâncias malignas que  só "Auschwitz" acabaria por ter no  século 20.&lt;br /&gt;Mas a inquietação de Voltaire  não foi a única. Como explica Susan  Neiman num brilhante tratado sobre a história filosófica do mal ("Evil  in Modern Thought", Princeton University Press, 358 págs.), o terremoto  de Lisboa não se limitou a ser pasto  para o racionalismo dos "philosophes". O terremoto, em suma, não  mostrava apenas ao mundo a crueldade de Deus ou até, no limite, a Sua  inexistência.&lt;br /&gt;Para os anti-iluministas, provava  o contrário: a justiça e a onipotência  divinas sobre uma Humanidade  corrupta e pecadora. O terremoto  era um castigo de Deus sobre a licenciosidade dos homens.&lt;br /&gt;E nem mesmo as diferentes sensibilidades religiosas da época escaparam  às suas guerras privadas. Para os jansenistas, era um castigo sobre uma  "cidade jesuíta" onde a Inquisição ainda funcionava. Para os  jesuítas era o oposto: um castigo divino precisamente porque a  Inquisição não funcionava com a dureza e  a regularidade aconselháveis.&lt;br /&gt;O italiano Gabriel Malagrida foi  um dos rostos mais conhecidos desse fervor religioso e, um ano depois  do terremoto, ainda pregava aos lisboetas que se arrependessem dos  seus pecados e se preparassem para o Juízo Final. O terremoto do ano  anterior fora, digamos, um mero  aperitivo. O prato principal ainda  estaria para vir.&lt;br /&gt;O mundo acabou, é certo. Mas  apenas para Malagrida, queimado  pouco depois como herege num  apropriado auto-de-fé. Conta a mesma Susan Neiman que a morte de  Malagrida marcava também o fim  de uma era que via nos "males naturais" uma expressão dos "males  morais". Nas clássicas palavras do  marquês de Pombal, a única resposta possível perante o terremoto era  "enterrar os mortos e alimentar os  vivos". Meditações teológicas para  que, quando havia pestes e fomes a  evitar? Os mortos foram enterrados.  Deus também: os "males naturais"  passaram a ser imprevisíveis, contingentes, inexplicáveis. E sobre eles  passou a repousar um silêncio de resignação e horror.&lt;br /&gt;É esse silêncio que a maioria observa com as imagens do Japão e a  sua particular confluência de desastres. Nada há a dizer, nada há a explicar, exceto enterrar os mortos e  cuidar dos vivos.&lt;br /&gt;Mas há quem resista. Leio na imprensa do dia que o presidente do  European Economic and Social  Committee, órgão consultivo da  União Europeia com certa importância "científica", aproveitou o momento  para questionar se a catástrofe japonesa não seria um resultado do  aquecimento global ou, como  hoje se diz e uma vez que o mundo  deixou de aquecer desde inícios do  século 21, das "alterações climatéricas". Nas palavras do preclaro  Staffan Nilsson, talvez a natureza esteja  a falar conosco. Não deveríamos ouvi-la?&lt;br /&gt;Não foi caso único: jornais e televisões foram invadidos por iguais interrogações, normalmente vertidas  por políticos e fanáticos da causa  ambientalista. A natureza, na visão  dessa gente, não pode ser imprevisível, contingente, inexplicável. Como,  na verdade, sempre foi ao longo da  história. Isso seria um insulto para a  nossa patética soberba.&lt;br /&gt;Se o Japão ficou parcialmente  destruído, existe uma causa última.  E na impossibilidade de a causa ser  um deus monoteísta, talvez as respostas se encontrem num deus panteísta:  uma mãe natureza indignada com os abusos dos seus filhos,  que resolve assim puni-los de forma  brutal para que eles deixem de cometer pecados contra ela.&lt;br /&gt;Enganam-se os que pensam que o  espírito de Malagrida morreu nas  chamas da Inquisição. Os fanáticos  da causa verde apenas pintaram  Deus com outra cor; mas a atitude  mental é a mesma: a atitude de  quem explica os "males terrenos"  como um castigo dos céus. Ou, melhor dizendo, da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Folha em 15/03/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-6146997655996617772?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/6146997655996617772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/03/deus-e-verde.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/6146997655996617772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/6146997655996617772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/03/deus-e-verde.html' title='Deus é verde'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-2976726683480632753</id><published>2011-02-15T18:38:00.000-02:00</published><updated>2011-02-15T18:39:39.849-02:00</updated><title type='text'>Liberdade e revolução</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;JOÃO PEREIRA COUTINHO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;O fato de derrubarmos um governo opressivo não significa necessariamente que o próximo será melhor &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; NADA COMO uma boa revolução para deslumbrar os deslumbrados. Sempre foi assim.&lt;br /&gt;Em 1789, a França abria um novo capítulo na história do mundo e um jovem  parlamentar francês, Charles-Jean-François Depont (1767-1796), escrevia  ao seu amigo Edmund Burke (1729-1797), o parlamentar irlandês que fora  decisivo na causa independentista dos colonos americanos.&lt;br /&gt;Na sua missiva, Depont fazia uma pergunta retórica: Burke aprovava a  queda da Bastilha e a nova era de liberdade que prometia banhar a França  e a Europa? A pergunta era retórica porque Depont estava convencido de  que sim: quem, em juízo perfeito, se opõe à "liberdade"?&lt;br /&gt;A resposta de Burke está contida em "Reflexões sobre a Revolução em  França" (1790), obra singular na história do pensamento político. E pode  ser resumida numa única palavra: depende.&lt;br /&gt;A "liberdade", em abstrato, é um valor inestimável, responde Burke. Mas,  na prática, será que somos capazes de festejar a "liberdade" de um  louco que abandona a cela pronto para aterrorizar a vizinhança?&lt;br /&gt;A metáfora de Burke é demolidora precisamente porque dinamita a  "política de abstração" dos revolucionários franceses. Contra esses  valores, Burke faz uma apologia do ceticismo e da prudência: o fato de  derrubarmos um governo opressivo não significa necessariamente que o  próximo será melhor.&lt;br /&gt;Os jornalistas ocidentais que viajaram para o Cairo nunca leram Burke. E  pouco sabem sobre a história das revoluções na era moderna: na França,  Rússia e, claro, no Irã.&lt;br /&gt;O caso iraniano é particularmente importante porque existem semelhanças  de comportamento nos observadores ocidentais: em 1979, o Irã enterrava  uma monarquia opressiva e corrupta e a "intelligentsia", com igual  idealismo, olhava para o exilado Khomeini como "o Gandhi da Pérsia".&lt;br /&gt;Escusado será dizer que Khomeini não foi o Gandhi da Pérsia, antes, o  patrono de uma teocracia violenta que hoje treina e financia grupos  terroristas como o Hamas, em Gaza, e o Hizbollah, no sul do Líbano.&lt;br /&gt;Isso significa que o caminho do Egito será o do Irã três décadas atrás?&lt;br /&gt;Ninguém sabe. Ou, como diria Burke, depende. E esse desconhecimento  deveria refrear o entusiasmo infantil que a imprensa e a televisão  despejam sobre nós.&lt;br /&gt;Para começar, o Egito não parece ter condições materiais, culturais ou  institucionais para garantir uma democracia liberal, respeitadora dos  direitos individuais e, fato crucial, em que a religião não domine a  vida política e imponha as suas regras.&lt;br /&gt;Pelo contrário: o único partido da oposição a Mubarak organizado e  disciplinado -a Irmandade Muçulmana- não garante esse quadro  "democrático" e "liberal". Basta olhar para o Hamas em Gaza.&lt;br /&gt;Por último, é importante recordar o básico: não existem democracias sem  democratas. Anne Applebaum, uma especialista na história do comunismo,  escrevia recentemente na "Spectator" que os povos que desejavam a  libertação do regime comunista na Europa do Leste identificavam-se com o  modelo democrático ocidental.&lt;br /&gt;Ler os textos políticos de Václav Havel ou Lech Walesa é encontrar  apologias expressas a uma liberdade tutelada pela lei em que a dignidade  da pessoa humana e a iniciativa individual são respeitadas.&lt;br /&gt;Não existe nenhum Václav Havel ou Lech Walesa no Egito de hoje. E é, no  mínimo, aberrante que os jornalistas e comentadores ocidentais confundam  os milhares de manifestantes da praça Tahir -muitos deles genuínos  democratas- com os 80 milhões de egípcios que estão longe, muito longe,  desse tipo de cosmopolitismo.&lt;br /&gt;Segundo as pesquisas conhecidas, realizadas pelo conhecido Pew Research  Center, em 2010, a maioria dos egípcios deseja uma maior participação do  Islã na vida política, não olha para a democracia com grande entusiasmo  e até apoia esmagadoramente os preceitos penais mais bárbaros da  sharia.&lt;br /&gt;O Egito livrou-se de um ditador. Mas é possível e provável que o futuro  seja pior -para o Egito, o Oriente Médio e para nós, ocidentais.&lt;br /&gt;É por isso que, nos delírios românticos dos últimos dias, a única coisa  sensata foi dita pelo vice-presidente Omar Suleiman na sua comunicação  ao país. Disse ele: "Espero que Deus nos ajude".&lt;br /&gt;Nem mais. Só Deus, agora, pode ajudar o Egito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado na Folha em 15/02/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-2976726683480632753?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/2976726683480632753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/liberdade-e-revolucao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/2976726683480632753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/2976726683480632753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/liberdade-e-revolucao.html' title='Liberdade e revolução'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-5611761550846646431</id><published>2011-02-14T21:38:00.000-02:00</published><updated>2011-02-14T21:39:53.912-02:00</updated><title type='text'>No osso</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt; A vida é um drama sem solução. Atualmente, são os homens que esperam pelo príncipe encantando &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   ESTOU FELIZ. Dirão meus detratores que minto porque um niilista  nunca está feliz. Mentira. A felicidade de um niilista apenas custa mais  caro porque não é "made in China".  Está mais para BMW do que para  Chery.&lt;br /&gt;Estou feliz porque vi um filme que  me deu esperança no cinema dos  próximos anos: "Inverno da Alma" ,  de Debra Granik.&lt;br /&gt;Com os 80 anos do grande Clint  Eastwood, temo por sua herança.  Encontrei em Debra Granik uma esperança. Quem achar estranho que  uma mulher seja a herdeira de um  cineasta que fala de virilidade engana-se.&lt;br /&gt;Num cenário como o atual no  qual os homens, quase todos, falam  fino e pedem permissão às mulheres  para dizer o que pensam, só podíamos mesmo ter esperança que as cineastas mulheres se tornassem as  possíveis herdeiras daquilo que os  homens estão a perder: a coragem  de dizer que a vida é um drama sem  solução. Hoje, são os homens que  esperam o príncipe encantando.&lt;br /&gt;"Inverno da Alma" é filme de gente grande, coisa rara na medida em  que a democracia de mercado avança (e tem que avançar mesmo, senão todo  mundo morre de fome, como na África) e faz do cinema coisa  para retardados.&lt;br /&gt;A luta no capitalismo avançado e  na democracia de massa é pela defesa da inteligência, que sofre o risco  constante de atolar num pântano de  bobagens para fazer a classe média  se sentir segura.&lt;br /&gt;Nada contra filmes divertidos, de  ação, de terror e coisas assim. Mas  quando o cinema resolve salvar o  mundo, mudar o mundo, mudar as  pessoas, meu Deus, que tédio.&lt;br /&gt;Parafraseando o grande Oscar  Wilde (1854-1900), que disse algo  como "toda poesia sincera é ruim",  todo filme no qual o diretor quer salvar o mundo é ruim. Mas como a audiência costuma ter o mesmo nível  mental do diretor, quase ninguém  percebe que está diante de coisa do  jardim da infância.&lt;br /&gt;Em 2004, Debra Granik já fizera  "Down to the Bone", filme sobre  uma mulher que luta contra as drogas em meio à criação de seus filhos.  Agora ela volta "ao osso" para falar  de uma menina de 17 anos que luta  para achar seu pai, que meteu sua  família numa fria das sérias.&lt;br /&gt;Sua mãe, imprestável, é uma deprimida apática. Em meio à pobreza, a garota cria seus dois irmãos  mais novos e cuida de tudo mais. Sozinha diante da vida, sem frescuras,  sem "mapa moral", sem a ladainha  política de vítima social.&lt;br /&gt;O filme se passa num desses Estados atrasados do sul americano, pobre e rural. Aquela América que o  amador Obama não entende. Esperemos que passe logo a onda Obama de governar para a torcida, a fim  de ganhar aplausos dos estudantes  e das feministas.&lt;br /&gt;Uma das coisas que pode tornar o  filme "difícil" é exatamente o fato de  ele não oferecer o "mapa moral"  que todo mundo gosta de receber  quando vai ao cinema ou quando  pensa sobre a vida e os costumes.&lt;br /&gt;O filme não oferece "mapa moral" porque todos os personagens  estão atolados na vida, que é essencialmente um fenômeno amoral,  sem os tais "valores" de que todo  mentiroso gosta de falar.&lt;br /&gt;Apesar de que ficou na moda todo mundo desfilar "princípios éticos" por  aí, a semelhança da hipocrisia cristã do passado, no silêncio  de nossas almas nós sabemos que  fazemos tudo que for necessário para sobreviver. E quem é exceção,  não faz marketing do bem, apenas  morre cedo.&lt;br /&gt;Sim, uma dose de "ilusão moral"  constitui a vida em sociedade. A  própria noção de amor familiar como fato óbvio é uma dessas ilusões  (as famílias, às vezes, são máquinas  de moer gente e nem toda mãe ama  seus filhos, às vezes os odeia e às vezes, com razão).&lt;br /&gt;A metáfora do "osso" aqui é essencial. Em inglês, chegar ao osso é  chegar ao fundo das coisas, na sua  estrutura mais elementar. É chegar  ali onde a ilusão não habita.&lt;br /&gt;A cena na qual a protagonista  com a ajuda das mulheres que a tinham espancado, "resolve o enigma" é uma ode à genuína piedade.&lt;br /&gt;Não consigo pensar em maior  canto à sofrida dignidade humana  (esta mesma que os marketeiros do  bem maculam com seu papo-furado) do que a heroína Ree, ao final,  tranquilizando seus irmãos pequenos, dizendo que não conseguiria viver "sem o peso deles nas costas".  Eis um filme para se ver de joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado na Folha em 14/02/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-5611761550846646431?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/5611761550846646431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/no-osso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/5611761550846646431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/5611761550846646431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/no-osso.html' title='No osso'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-4641508739300943798</id><published>2011-02-08T13:05:00.001-02:00</published><updated>2011-02-08T13:07:39.107-02:00</updated><title type='text'>Jornalismo Delinquente</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt; 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Não é necessário, contudo, falsear deliberadamente a história como faz o panfleto disfarçado de reportagem publicado nesta &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; sob as assinaturas de Laura Capriglione e Lucas Ferraz (”DEM corresponsabiliza negros pela escravidão”, &lt;b&gt;Cotidiano&lt;/b&gt;, 4/3).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;A invectiva dos repórteres engajados contra o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na audiência do STF sobre cotas raciais inscreve no título a chave operacional da peça manipuladora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram “africanos” por “negros”, convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Não: ninguém disse que a “raça negra” carrega responsabilidades pela escravidão. Mas se entende o impulso que fabrica a mentira: os arautos mais inescrupulosos das políticas de raça atribuem à “raça branca” a responsabilidade pela escravidão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Num passado recente, ainda se narrava essa história sem embrulhá-la na imaginação racial. Dizia-se o seguinte: o tráfico atlântico articulou os interesses de traficantes europeus e americanos aos dos reinos negreiros africanos. Isso não era segredo ou novidade antes da deflagração do empreendimento de uma revisão racial da história humana com a finalidade bem atual de sustentar leis de divisão das pessoas em grupos raciais oficiais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;O jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda. O instituto da escravidão existia na África (como em tantos outros lugares) bem antes do início do tráfico atlântico. Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados. A inexistência de um interdito moral à escravidão propiciou a aliança entre reinos africanos e os traficantes que faziam a rota do Atlântico. Os empórios do tráfico, implantados no litoral da África, eram fortalezas de propriedade dos reinos africanos, alugadas aos traficantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres (”África não organizou tráfico, diz historiador”), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que “toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Os grandes reinos negreiros africanos controlavam redes escravistas extensas, capilarizadas, que se ramificavam para o interior do continente e abrangiam parceiros comerciais estatais e mercadores autônomos. No mais das vezes, a captura e a escravização dos infelizes que passaram pelas fortalezas litorâneas eram realizadas por africanos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Num livro publicado em Londres, que está entre os documentos essenciais da história do tráfico, o antigo escravo Quobna Cugoano relatou sua experiência na fortaleza de Cape Coast: “Devo admitir que, para a vergonha dos homens de meu próprio país, fui raptado e traído por alguém de minha própria cor”. Laura e Lucas, na linha da delinquência, já têm o título para uma nova reportagem: “Negros corresponsabilizam negros pela escravidão”.&lt;br /&gt;O tráfico e a escravidão interna articulavam-se estreitamente. No reino do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século 16, o poder do rei e da aristocracia apoiava-se no domínio sobre uma ampla classe de escravos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;No Congo, a população escrava chegou a representar cerca de metade do total. O reino Ashanti, que dominou a Costa do Ouro por três séculos, tinha na exportação de escravos sua maior fonte de renda. Os chefes do Daomé tentaram incorporar seu reino ao império do Brasil para vender escravos sob a proteção de d. Pedro 1º. Em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que “o tráfico de escravos tem sido a fonte da nossa glória e riqueza”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.O providencial esquecimento de Alencastro é um fenômeno disseminado na África. “Não discutimos a escravidão”, afirma Barima Nkye 12, chefe supremo do povoado ganês de Assin Mauso, cuja elite descende da aristocracia escravista ashanti. Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma “amnésia geral sobre a escravidão”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Amnésia lá, falsificação, manipulação e mentira aqui. Sempre em nome de poderosos interesses atuais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:14pt;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Artigo publicado na Folha em 09/03/2010&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-4641508739300943798?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/4641508739300943798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/jornalismo-delinquente_08.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/4641508739300943798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/4641508739300943798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/jornalismo-delinquente_08.html' title='Jornalismo Delinquente'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-3679238111277409290</id><published>2011-02-08T11:03:00.000-02:00</published><updated>2011-02-08T11:04:03.156-02:00</updated><title type='text'>Quibes, queijos e vinhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Quem está na rua no Egito quer emprego; se fala em "liberdade", é porque aprendeu com o Ocidente&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    OS ÁRABES foram às ruas. Os paquistaneses (muçulmanos, mas não  árabes) vivem nas ruas pedindo a  cabeça de algum inimigo do Islã.  Pensar que estamos diante da "aurora" de um novo mundo árabe democrático é uma piada.&lt;br /&gt;Imagino como alguns "sacerdotes da religião do povo" (populismo  para intelectuais de esquerda?) devem ficar emocionados, lembrando  (fantasiando?) os grandes dias do  Maio de 68 na França.&lt;br /&gt;Se lermos as colunas de Nelson  Rodrigues (editora Agir) da época,  encontraremos questões como: afinal, o que querem esses estudantes  parisienses se não cortaram nenhuma cabeça? Que revolução é essa  que acabou em croissant?&lt;br /&gt;De uma hora para outra, a moçada francesa voltou para casa para  tomar vinho e comer "un petit fromage". Centenas de teses pelo mundo tentam até hoje explicar a razão  de a "revolução do desejo" de Maio  de 68 ter acabado de repente, sem  nenhuma razão.&lt;br /&gt;Diferentemente dos jovens americanos, que tinham um motivo concreto para protestar (a horrível  Guerra do Vietnã), os meninos franceses estavam cheios de tédio, naquela vidinha chata de gente rica, e  resolveram brincar de "comuna de  Paris".&lt;br /&gt;No fundo, queriam "o direito" de  transar com as colegas nos dormitórios da universidade, alguns meninos queriam "o direito" de transar  com outros meninos (sob a bênção  filosófica do mestre Foucault, que,  aliás, no começo da Revolução Islâmica do Irã, tinha frisson por ela), e  alguns, como sempre, não queriam  mesmo é ir para a aula e virar gente  grande.&lt;br /&gt;Mas os "sacerdotes do povo" fizeram seu trabalho e transformaram  aquela festa em grande fenômeno  histórico.&lt;br /&gt;A verdade é que não se sabe no  que vai dar essa "revolução do quibe" no mundo árabe. Pessoalmente,  espero que consigam viver melhor e  se livrem dos "partidos de deus".&lt;br /&gt;Mas o que é viver melhor? Para  mim, que não sou relativista e acho  a democracia liberal ocidental o  melhor sistema político conhecido e  gente que amarra toalha na cabeça  para gritar "morte aos infiéis!" gente atrasada, viver melhor é poder  ganhar dinheiro e pagar suas contas,  consumir coisas que queremos consumir, transar com quem você quiser, não  ter que aturar maridos espancadores, não ser obrigado a sustentar  mulheres de que você não  gosta mais, não ser obrigado a rezar  se você não quiser, poder rezar se  você quiser para o deus que você  quiser, não ter que achar seu governante "o salvador do povo". Enfim,  coisas básicas, não?&lt;br /&gt;Mas o fundamentalismo islâmico  (que não é a mesma coisa que islamismo) não pensa assim.&lt;br /&gt;Se, por um lado, não se pode afirmar que o Egito vá virar o Irã (que alguns ainda acham ótimo porque  "enfrenta o imperialismo americano"... risadas...), por outro, negar o  risco do fundamentalismo islâmico  na região em questão é uma piada.  Pura má fé teórica.&lt;br /&gt;Risco aqui não significa apenas  tomar o poder, significa minar a sociedade, enterrando as pessoas nesse  "pântano de deus" onde fundamentalistas crescem como praga na  lama.&lt;br /&gt;Essas pessoas que estão nas ruas  querem emprego. Se eles falam em  "liberdade", fazem-no porque  aprenderam com o Ocidente capitalista malvado. Não estão movidos  por ideologias de Maio de 68. Espera aí... qual era mesmo a ideologia?  Reclamar da TV, do cinema, de ter  que arrumar o quarto, de ter que fazer prova na faculdade?&lt;br /&gt;Que tal o Líbano, que virou refém  do Hizbollah (o partido de deus), esse grupo muito pacifista e democrático? Ou a irmandade islâmica do  Egito, que está "gozando" com tudo  isso? E os democráticos do Hamas?  Que tal mandar um desses populistas de esquerda passar uns dias  com eles para discutir "liberdades  individuais"? E se o voto direto por  lá eleger outro Hamas?&lt;br /&gt;Muitas análises são feitas a partir  do que em filosofia se chama "wishful thinking" (pensamento contaminado por "desejos escondidos").  Muita gente projeta sobre esses fenômenos seus pequenos sonhos de  grandeza teórica.&lt;br /&gt;Esses países não têm a divisão  moderna entre religião e Estado. Negociar com eles é negociar com o  Islã, não nos enganemos. O necessário é falar com o Islã e seus líderes,  a  fim de "isolar" a praga do fundamentalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Folha em 07/02/2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-3679238111277409290?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/3679238111277409290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/quibes-queijos-e-vinhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3679238111277409290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3679238111277409290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/quibes-queijos-e-vinhos.html' title='Quibes, queijos e vinhos'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-7928106118287632973</id><published>2011-02-08T10:57:00.000-02:00</published><updated>2011-02-08T11:01:56.287-02:00</updated><title type='text'>Os herdeiros de Sayyid Qutb</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;JOÃO PEREIRA COUTINHO  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt; O teórico egípcio mostra que a Irmandade Muçulmana está longe de ser uma força "moderada" &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; OS ESTADOS UNIDOS tiveram dois  visitantes ilustres que voltaram para  contar. O primeiro foi Alexis de Tocqueville (1805-1859). O seu "A  Democracia na América" é, ainda hoje, o livro definitivo sobre a  República, a "era da igualdade" e os seus  intrínsecos perigos.&lt;br /&gt;Mas existe um segundo visitante,  nascido cem anos depois de Tocqueville, que não pode ser esquecido. Seu  nome é Sayyid Qutb (1906-1966). Seu livro, com o título "A  América que Eu Vi", é um belo complemento à obra de Tocqueville.  Com uma diferença: o francês expressa a sua admiração pela América; o  egípcio deixou-nos um documento pleno de ódio e horror.&lt;br /&gt;Quem é Sayyid Qutb? Simplificando: é um dos teóricos fundamentais  do islamismo sunita e o ideólogo  "par excellence" da Irmandade Muçulmana, o grupo fundado por Hassan Al-Banna no Egito, em 1929.&lt;br /&gt;Mas enquanto Al-Banna foi uma  figura essencialmente "religiosa",  ainda que advogando a jihad como  forma de reverter a contaminação  ocidental no Oriente Médio, Sayyid  Qutb conferiu à guerra santa uma  urgência empírica que arrepia qualquer cristão.&lt;br /&gt;Ou, melhor dizendo, qualquer  cristã: as suas descrições das mulheres americanas, que ele via dançando e rindo com uma liberdade e  sensualidade ofensivas, convenceram-no da corrupção ocidental e da  necessidade de combatê-la pelo terrorismo e pelo sangue.&lt;br /&gt;Lembrar Sayyid Qutb é importante no momento presente. Porque o  momento presente persiste na ilusão de que a Irmandade Muçulmana é uma força "moderada" para o  futuro do Egito, na fase que se abre  pós-Mubarak.&lt;br /&gt;A ilusão não resiste à realidade.&lt;br /&gt;Não resiste aos textos teóricos da  Irmandade Muçulmana, que repudiam a democracia (uma importação  sacrílega) e defendem a submissão ao Islã como caminho único para a  complexidade e fragmentação  das sociedades modernas.&lt;br /&gt;Mas também não resiste às suas  práticas: um dos excelsos subprodutos da Irmandade Muçulmana  encontra-se hoje a governar Gaza.  Falo do Hamas, é claro, um grupo  terrorista que se recusa a aceitar a  "entidade sionista" e que justifica a  sua luta contra Israel com os "Protocolos dos Sábios do Sião", o documento forjado pelas autoridades  czaristas no século 19 para instigar  os "pogroms" do Império Russo.&lt;br /&gt;Isso significa que Hosni Mubarak  é a resposta para o impasse egípcio?&lt;br /&gt;Obviamente que não. Mubarak  foi uma resposta em 1981, após o assassinato de Anwar Sadat pelo  radicalismo islâmico, ao impedir a desagregação do país; ao controlar o  fanatismo da Irmandade; e ao honrar  os compromissos de paz assumidos  com Israel em Camp David.&lt;br /&gt;Acontece que Mubarak deixou de  ser uma resposta há muito tempo. E  seria importante que o Ocidente, e  em especial os Estados Unidos,  aprendesse uma lição fundamental  com a revolta corrente: não basta  que os nossos aliados sejam inimigos dos nossos inimigos. É importante, também, que eles sejam amigos dos nossos valores.&lt;br /&gt;E se esses valores não existem,  devem ser criadas as condições institucionais e materiais para que eles  possam florescer. Só existem democracias dignas desse nome quando  o povo escolhe sem fome, sem medo  e com a dignidade intacta.&lt;br /&gt;Quando essas condições estão  ausentes, a democracia transforma-se apenas num mecanismo formal  que normalmente premia quem a  deseja liquidar. Isso foi visível em  Gaza, nas eleições legislativas de  2006; já tinha sido visível na Alemanha de Weimar. Com os resultados  conhecidos.&lt;br /&gt;É por isso que concordo com  Charles Krauthammer, colunista do  "Washington Post" e uma das vozes  mais racionais da imprensa atual: o  melhor que poderia acontecer ao  Egito era experimentar um período  de transição, tutelado pelas suas  Forças Armadas, que permitisse responder às necessidades básicas de  uma população enraivecida e faminta; e, por outro lado, que levasse  à formação de partidos seculares e  democráticos que se assumissem  como alternativa à Irmandade Muçulmana.&lt;br /&gt;O pior que poderia acontecer era  montar as urnas da noite para o dia,  estendendo um tapete vermelho para que os herdeiros de Sayyid Qutb  pudessem aplicar o projeto totalitário do patrono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Folha em 08/02/2011&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-7928106118287632973?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/7928106118287632973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/os-herdeiros-de-sayyid-qutb.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/7928106118287632973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/7928106118287632973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2011/02/os-herdeiros-de-sayyid-qutb.html' title='Os herdeiros de Sayyid Qutb'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-9060273251766555352</id><published>2010-09-15T22:03:00.001-03:00</published><updated>2011-04-04T19:15:51.126-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 128);"&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Restos à janela    &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt; Quais seriam os "direitos" em questão da mulher? De ser feia? De disputar o Prestobarba de manhã? &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; SOU UM tanto maníaco por detalhes. Às vezes, me pego pensando  em Walter Benjamin, o grande pensador judeu alemão que se suicidou  durante a Segunda Guerra Mundial,  e entendo sua obsessão pelos detalhes do mundo.&lt;br /&gt;A matéria de que é feita a consciência muitas vezes se encontra  nos detalhes, principalmente nos  restos do mundo, restos ridículos de  um mundo em clara agonia. Hoje  vou dar um exemplo de como uma  migalha do mundo pode ser representativa do nosso ridículo.&lt;br /&gt;O detalhe ridículo de hoje se refere a um novo movimento de conscientização que nasce. Vejamos.&lt;br /&gt;O que haveria de errado em mulheres que querem atrair os homens  e por isso se fazem bonitas? Macacas atraem macacos, aves fêmeas  atraem aves machos.&lt;br /&gt;Mas parece haver umas pessoas  por aí que acham que legal é ser feia.  É, caro leitor, se prepare para a nova  onda feminista: mulheres peludas.  Para essas neopeludas que não se  depilam ter pelos significa ser consciente dos seus direitos.&lt;br /&gt;Quais seriam esses "direitos"? De  ser feia? De parecer com homens e  disputar o Prestobarba de manhã?  Antes, um reparo: "direitos" hoje é  uma expressão que serve para tudo.  Piolhos terão direitos, rúculas terão  direitos, ratos já têm direitos. Temo  que apenas os machos brancos heterossexuais não tenham direitos.&lt;br /&gt;Pensou? Machista! Desejou? Machista! Deu um presente? Machista!  Se você aceitar ser eunuco, obediente, desdentado e, antes de tudo, temer a fúria das mal-amadas, aí você  será superlegal. De repente, elas exigirão uma sociedade onde todos terão seu Prestobarba. Cuidado ao  passar a mão nas pernas delas porque será como mexer nas suas próprias pernas.&lt;br /&gt;Estou numa fase preocupado em  ajudar o leitor a formar um repertório que escape do blá-blá-blá mais  frequente por aí. Por isso, nas últimas semanas, tenho indicado  leituras. Proponho hoje a leitura de "Feminist Fantasies" (fantasias  feministas), de Phyllis Schlafly, cujo prefácio é assinado por Ann  Coulter, a  loira antifeminista que irrita a esquerdinha obamista, antes de tudo,  porque é linda, com certeza.&lt;br /&gt;Para piorar, Ann Coulter é inteligente e articulada. Mas, em se tratando de mulher, é antes de tudo a  inveja pela beleza da outra que move o mundo a sua volta.&lt;br /&gt;Dirão as ideólogas do "eunuco  como modelo de homem" que a culpa é nossa (masculina) porque as  mulheres querem nos seduzir e, aí,  elas se batem na arena da sedução.  Mas, se elas não quiserem nos seduzir, qual seria o destino de nossa espécie? Para que elas "serviriam"?  Deveriam elas (as que querem ser  bonitas para nós homens) ser condenadas porque são normais?&lt;br /&gt;O primeiro artigo deste livro é já  uma pérola de provocação: "All I  Want Is a Husband" (tudo o que  quero é um marido).&lt;br /&gt;Contra a "política do ódio ao macho", nossa polemista afirma que a  maioria das mulheres, sim, quer, antes de tudo, amor e lar.&lt;br /&gt;Quando elas se lançam na busca  do amor e sucesso profissional em  "quantidades iguais", mergulham  numa escolha infernal (a autora desenvolve a questão nos ensaios seguintes) que marca a desorientação  contemporânea. O importante, antes de tudo, é não mentirmos sobre  isso e iluminarmos a agonia da vida  feminina quando submetida à "política do ódio ao macho".&lt;br /&gt;A vida amorosa nunca foi feliz. E  nunca será. Mas a mentira da  "emancipação feminina" é não reconhecer que ela criou novas formas  de vida para a mulher em troca de  novas formas de agonia.&lt;br /&gt;Diz um amigo meu que, pouco a  pouco, as mulheres se tornam obsoletas. Por que não haveria mais razão para investir nelas?&lt;br /&gt;Conversando sobre esses medos  com alunos e alunas entre 19 e 21  anos, percebi que muito da "obsolescência da mulher" é consequência de  três queixas masculinas básicas: 1. Elas são carreiristas; 2. Não  valorizam a maternidade; 3. Não  cuidam da vida cotidiana da família. Associando-se a este "tripé", o  fato que elas começam a ganhar  bem, nem um "jantar" é preciso pagar para levá-las à cama. Resultado: a  facilidade no sexo de hoje é a  solidão de amanhã.&lt;br /&gt;Mergulhadas em suas exigências  infinitas, morrem à janela, contabilizando as horas, contemplando o  próprio reflexo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-9060273251766555352?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/9060273251766555352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/09/luiz-felipe-ponde-restos-janela-quais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/9060273251766555352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/9060273251766555352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/09/luiz-felipe-ponde-restos-janela-quais.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-3280159840683243349</id><published>2010-05-10T16:22:00.002-03:00</published><updated>2011-04-04T19:16:17.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 128);"&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Marketing de comportamento   &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt; Só os gays não têm problemas com as mulheres, porque são indiferentes a  elas&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   UMA FRASE típica de jantares  inteligentes é: "Hoje temos  outra cabeça!". Eu digo que  não. Não temos "outra cabeça". Somos mais tagarelas sobre nossas  mentiras. A mentira virou ciência:  virou marketing.&lt;br /&gt; Acho, sim, que muitos profissionais das ciências humanas afirmam  que existe essa "outra cabeça" (no  sentido de sermos mais bem resolvidos) simplesmente para justificar  seu lugar de gurus de uma vida melhor. Pretendem seduzir as pessoas  dizendo para elas palavras bonitas.&lt;br /&gt;Principalmente as mulheres. Enganam-se porque as mais interessantes  entre elas detestam bajulação. A  praga da "autoajuda" não é privilégio de magos decadentes, bruxas loiras  e gurus desdentados. Essa praga  assola tudo, fazendo da vida inteligente um marketing da autoimagem.&lt;br /&gt;Progredimos, sim, em remédios,  repelentes de mosquitos e cirurgias  (tecnologias médicas), aviões, computadores e celulares (tecnologias  de transporte e comunicação). Mesmo a democracia eu julgo  sobrevalorizada em muitos casos devido à inequívoca vocação para a  retórica e para a tirania da opinião pública.&lt;br /&gt;Mas a má-fé se esconde no fato de  que todos esses avanços técnicos  implicam o tipo de vida (degradada,  instrumental, apressada) que temos. Como diz o filósofo francês  André Comte-Sponville, o "progresso" em escala global é uma ameaça  à vida.&lt;br /&gt;Sem dúvida que algumas coisas  "mudam". Hoje, por exemplo, muitas mulheres podem ser "mais" do  que secretárias, elas podem ser médicas, engenheiras, cientistas. E  negros podem ser presidentes. Mas nada disso (de antibióticos a médicas  negras) implica em "outra cabeça":  continuamos invejosos, manipuladores, inseguros, traiçoeiros e podemos  destruir muita gente dando  uma de "defensores dos mais fracos". Os "ganhos sociais" só se instalam  quando se acomodam e passam  a servir às velhas mazelas humanas.&lt;br /&gt;Uma leitora, irritada, pergunta:  "Você não acredita que existam mulheres sozinhas e bem resolvidas?  Você deve é ter problemas com as  mulheres". Dou duas respostas.&lt;br /&gt;Primeira: não acredito em pessoas  bem resolvidas, acho que todo mundo que se diz bem resolvido é um  mentiroso contumaz, mulher ou homem. No fundo, o que existe hoje é  um marketing de comportamento  que se apoia no consumo crescente  de antidepressivos e hábitos macabros como conversar com gatos,  cachorros, plantas ou extraterrestres.&lt;br /&gt;Só eremitas conseguem viver bem  sozinhos. Amar a solidão sempre  implica alguma forma de trauma ou  desencanto com a vida.&lt;br /&gt;Segunda: sim, tenho problema  com as mulheres, quem não tem? Só  os mentirosos. Vou contar uma história. No maravilhoso livro  "Contraponto", de Aldous Huxley, existem  duas personagens femininas, entre  outras, Marjorie e Lucy. A primeira  é aquele tipo clássico da mulher que  se faz vítima do homem, grávida e  traída. A segunda é o outro tipo clássico de mulher (e oposto à  Marjorie), o ideal de toda mulher moderna: a devoradora de homens, que  transa com quem quer.&lt;br /&gt;Lucy, em sua vivência de mulher  livre, descobre um tesouro de sabedoria: só os gays não têm problemas  com as mulheres porque são indiferentes a elas. Ser bem resolvido com  as mulheres é ser gay. Para o gay, a  mulher é obsoleta. Exigir dos homens "afetos corretos" para com as  mulheres é querer que todos sejam  gays. O mesmo vale para as mulheres: toda mulher tem problema com  os homens. Quando se trata da relação entre homens e mulheres, estamos  num pântano de medo, insegurança, baixa autoestima e jogos de  manipulação. O inferno do desejo.&lt;br /&gt;Conhece?&lt;br /&gt;E por que existe tanta gente que  faz uso desse marketing de comportamento dizendo por aí que "hoje temos  outra cabeça"? De novo, dou  duas respostas.&lt;br /&gt;Primeira: eu me vendo como bem  resolvido para fazer os outros se  sentirem mal e com isso elevo minha autoestima. Nunca subestime a  delícia que é fazer o outro se sentir  mal mesmo que você não esteja se  sentindo tão bem assim.&lt;br /&gt;Segunda: como derivação da primeira, eu me vendo como bem resolvido para  elevar meu preço no  mercado dos afetos e das relações.&lt;br /&gt;As duas se resumem no velho pecado da vaidade. Esse é apenas um  dos sete pecados capitais (caso a cara leitora queira saber mais, leia  são  Tomás de Aquino). Melhor do que  todo o papo de luta de classes, ideologia, política dos corpos, sexismo e   blá-blá-blás associados, experimente usar os sete pecados capitais para  ver se eles não iluminam a chacina  cotidiana em que você vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Folha 10/05/2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-3280159840683243349?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/3280159840683243349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/05/luiz-felipe-ponde-marketing-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3280159840683243349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3280159840683243349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/05/luiz-felipe-ponde-marketing-de.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-2595167573023671920</id><published>2010-04-15T18:33:00.001-03:00</published><updated>2010-04-15T18:33:53.250-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;/h3&gt; &lt;div class="post-header"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div class="post-body entry-content"&gt; J.R.Guzzo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lula não corrige nenhum dos erros que comete, pois acabou&lt;br /&gt;convencido  de que não erra nunca; além disso, é estimulado&lt;br /&gt;o tempo todo a  continuar errando"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brasileiro comum, do tipo que não pode  nomear parentes nem agregados para "cargos em comissão" no serviço  público, raramente tem a oportunidade de ser bajulado. Em compensação,  passa a vida pagando pelos estragos causados pela bajulação praticada em  escala maciça, e todos os dias, nas esferas mais altas do governo – a  começar pela esfera mais alta de todas. Não existe uma única alma, ali,  capaz de admitir que possa haver algum erro, mesmo de pequeno porte, em  qualquer coisa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diga, faça ou  pense. O resultado é que Lula não corrige nenhum dos erros que comete,  pois acabou convencido de que não erra nunca; além disso, é estimulado o  tempo todo a continuar errando. A conta, como de costume, é paga pelo  público em geral. Como poderia ser diferente, quando as pessoas com quem  Lula fala e convive diariamente estão dispostas a tudo para deixar  claro, claríssimo, que ele tem sempre razão, seja lá no que for?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  presidente, por sua própria iniciativa, já se acha a obra mais  bem-acabada que a história do Brasil conseguiu produzir até hoje. Fica  ainda mais convencido disso, naturalmente, quando é chamado por seus  ministros e principais mandarins de "Nosso Mestre", "Nosso Guia" ou  "Nossa Luz", e passa o dia inteiro cercado de gente cuja grande  preocupação na vida é dar um jeito de dizer só o que ele quer ouvir. Ou  então não dizer, de jeito nenhum, o que ele não quer ouvir. Talvez  ninguém tenha resumido melhor essa questão do que a ex-ministra Dilma  Rousseff, pré-candidata oficial nas próximas eleições presidenciais.  Questionada recentemente sobre o que achava da situação dos presos  políticos em Cuba, que Lula havia acabado de comparar com "bandidos" de  São Paulo, Dilma mostrou que só pensa naquilo – como concordar com o  chefe. "Vocês não vão tirar de mim nenhuma crítica ao presidente Lula",  respondeu aos jornalistas. "Nem que a vaca tussa." A candidata, em suma,  não disse nada sobre a liberdade em Cuba. Ao mesmo tempo, disse tudo  sobre o padrão de conduta hoje em vigor no governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até algum  tempo atrás, com seus índices de popularidade que não param de subir,  Lula parecia satisfeito em ouvir de seus auxiliares, concordando 100%  com eles, que é o maior presidente que o país jamais teve. Hoje já  começa a dar a impressão de que está se sentindo grande demais para  caber nas fronteiras do Brasil. "Eu gostaria que todos os governantes do  mundo agissem como eu ajo", disse ele numa de suas recentes viagens ao  exterior. Ultimamente deu para achar que o Brasil tem condições de  resolver o problema do Oriente Médio, que está aí pelo menos desde 1948,  ou de convencer os aiatolás do Irã a utilizar de maneira construtiva a  bomba atômica que, segundo se suspeita, estão fabricando. Imagina que a  melhor maneira de amansar ditadores é ficar amigo deles, e vive ouvindo  de seus colaboradores que é um grande nome para chefiar as Nações Unidas  depois que acabar seu mandato presidencial; aparentemente, até agora,  vem achando muito natural essa possibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que não se  pode esperar nada muito diferente disso; a Presidência da República,  aqui ou em qualquer lugar do mundo, é um ecossistema voltado para a  sobrevivência dos mais aptos a bajular, obedecer e dissimular o que  pensam. Tome-se, por exemplo, o caso da Casa Branca, onde a palavra  "transparência" tem um valor quase religioso, pelo menos no discurso  oficial da política americana. Ninguém que tenha um gabinete ali dentro  sairia de casa de manhã, rumo ao trabalho, prometendo a si próprio:  "Hoje eu vou dizer umas boas verdades a esse Obama". Se disser, serão as  suas últimas palavras no emprego – o índice de mortalidade na carreira é  altíssimo para pessoas que querem, ao mesmo tempo, servir a presidentes  da República e manter intacta a sua sinceridade. Na verdade, a história  se repete em qualquer lugar, público ou privado, onde alguém manda. O  máximo que se consegue nesses ambientes, em matéria de crítica, são  comentários do tipo: "O grande defeito do chefe é que ele trabalha  demais". Ou é perfeccionista demais, sincero demais, confia demais nas  pessoas, e por aí afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, nos casos de bajulação em  modo extremo como a que existe hoje em torno do Palácio do Planalto, é  que o governo já começa a achar que a ausência de aplauso é uma  anomalia; algo tão incompreensível que só pode ser má-fé. "Eu inaugurei 2  t000 casas e não vi uma nota no jornal", espantou-se o presidente  tempos atrás. É nisso que veio dar essa história de "Nosso Mestre"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja 14/04/10&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-2595167573023671920?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/2595167573023671920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/04/j.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/2595167573023671920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/2595167573023671920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/04/j.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-1368779185520843471</id><published>2010-04-11T12:46:00.001-03:00</published><updated>2010-04-11T12:46:41.482-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;+Marcelo Gleiser&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt; Mitos, ciência e religiosidade&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;   &lt;table width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;É  possível ser uma pessoa espiritualizada e cética &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Começo hoje com a definição de  mito dada por Joseph Campbell, uma das grandes autoridades mundiais em  mitologia: "Mito é  algo que nunca existiu, mas que existe  sempre". Sabemos que mitos são narrativas criadas para explicar algo,  para  justificar alguma coisa. Na prática,  não importa se o mito é verdadeiro ou  falso; o que importa é sua eficiência.&lt;br /&gt;  Por exemplo, o mito da supremacia  ariana propagado por Hitler teve consequências trágicas para milhões de  judeus, ciganos e outros. O mito que  funciona tem alto poder de sedução,  apelando para medos e fraquezas, oferecendo soluções, prometendo  desenlaces alternativos aos dramas que  nos afligem diariamente.&lt;br /&gt; A fé num determinado mito reflete  a paixão com que a pessoa se apega a  ele. No Rio, quem acredita em Nossa  Senhora de Fátima sobe ajoelhado  centenas de degraus em direção à  igreja da santa e chega ao topo com os  joelhos sangrando, mas com um sorriso estampado no rosto. As  peregrinações religiosas movimentam bilhões  de pessoas por todo o mundo. É tolo  desprezar essa força com o sarcasmo  do cético. Querendo trazer a ciência  para um número maior de pessoas, eu  me questiono muito sobre isso.&lt;br /&gt; Como escrevi antes neste espaço, os  que creem veem o avanço científico  com uma ambiguidade surpreendente: de um lado, condenam a ciência como  sendo materialista, cética e destruidora da fé das pessoas. "Ah, esses  cientistas são uns chatos, não acreditam em Deus, duendes, ETs, nada!"&lt;br /&gt; De outro, tomam antibióticos, voam  em aviões, usam seus celulares e GPSs  e assistem às suas TVs digitais. Existe  uma descontinuidade gritante entre  os usos da ciência e de suas aplicações  tecnológicas e a percepção de suas implicações culturais e mesmo  religiosas. Como resolver esse dilema?&lt;br /&gt; A solução não é simples. Decretar  guerra à fé, como andam fazendo alguns ateus mais radicais, como Richard  Dawkin, não me parece uma estratégia viável. Pelo contrário, vejo essa  polarização como um péssimo instrumento diplomático. Como Dawkins  corretamente afirmou, os extremistas religiosos nunca mudarão de  opinião, enquanto um cientista, diante de evidência convincente, é  forçado  eticamente a fazê-lo. Talvez essa seja a  distinção mais essencial entre ciência  e religião: o ver para crer da ciência  versus o crer para ver da religião.&lt;br /&gt; Aplicando esse critério à existência  de entidades sobrenaturais, fica claro  que o ateísmo é radical demais; melhor optar pelo agnosticismo, que  duvida, mas não nega categoricamente o  que não sabe. Carl Sagan famosamente disse que a ausência de evidência  não é evidência de ausência. Mesmo  que estivesse se referindo à existência  de ETs inteligentes, podemos usar o  mesmo raciocínio para a existência de  divindades: não vejo evidência delas,  mas não posso descartar sua existência por completo, por mais que duvide   dela. Essa coexistência do existir e do  não-existir é incômoda tanto para os  céticos quanto para os crentes. Mas  talvez seja inevitável.&lt;br /&gt; A ciência caminha por meio do acúmulo de observações e provas concretas,  replicáveis por grupos diferentes.  A experiência religiosa é individual e  subjetiva, mesmo que, às vezes, seja  induzida em rituais públicos.  Como escreveu o psicólogo americano William James, a verdadeira  experiência religiosa é espiritual e não  depende de dogmas. Apesar de o natural e o sobrenatural serem  irreconciliáveis, é possível ser uma pessoa espiritualizada e cética.&lt;br /&gt;Einstein dizia que  a busca pelo conhecimento científico  é, em essência, religiosa. Essa religião  é bem diferente da dos ortodoxos, mas  nos remete ao mesmo lugar, o cosmo  de onde viemos, seja lá qual o nome  que lhe damos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;MARCELO GLEISER&lt;/b&gt; é professor de física teórica no Dartmouth  College, em Hanover (EUA) e autor do livro "Criação  Imperfeita"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-1368779185520843471?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/1368779185520843471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/04/marcelo-gleiser-mitos-ciencia-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/1368779185520843471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/1368779185520843471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/04/marcelo-gleiser-mitos-ciencia-e.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-8565335341005998825</id><published>2010-03-28T14:03:00.000-03:00</published><updated>2010-03-28T14:04:32.462-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;Marcelo Gleiser&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Sobre a crença e a ciência   &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;  &lt;table width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Respeito  os que creem. A ciência não tem  agenda contra a religião &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A pergunta que mais me fazem  quando dou palestras, ou mesmo quando me mandam e-mails, é se acredito  em Deus. Quando  respondo que não acredito, vejo um ar  de confusão, às vezes até de medo, no  rosto da pessoa: "Mas como o senhor  consegue dormir à noite?".&lt;br /&gt; Não há nada de estranho em perguntar a um cientista sobre suas crenças.  Afinal, ao seguirmos a velha rixa  entre a ciência e a religião, vemos que,  à medida em que a ciência foi progredindo, foi também ameaçando a  presença de Deus no mundo. Mesmo o  grande Newton via um papel essencial  para Deus na natureza: Ele interferia  para manter o cosmo em xeque, de  modo que os planetas não desenvolvessem instabilidades e acabassem todos  amontoados no centro, junto ao  Sol. Porém, logo ficou claro que esse  Deus era desnecessário, que a natureza podia cuidar de si mesma. O Deus  que interferia no mundo transformou-se no Deus criador: após criar o  mundo, deixou-o à mercê de suas leis.&lt;br /&gt; Mas, nesse caso, o que seria de Deus?  Se essa tendência continuasse, a ciência tornaria Deus desnecessário?&lt;br /&gt; Foi dessa tensão que surgiu a crença  de que a agenda da ciência é roubar  Deus das pessoas. Um número espantoso de pessoas acha mesmo que esse  é o objetivo dos cientistas, acabar com  a crença de todo mundo. Os livros de  Richard Dawkins e outros cientistas  ateus militantes, que acusam os que  creem de viverem num estado de delírio permanente, não ajudam em nada  a situação. Mas será isso mesmo o que  a ciência pretende? Será que esses  fundamentalistas ateus falam por todos os cientistas?&lt;br /&gt; De modo algum. Eu conheço muitos  cientistas religiosos, que não veem  qualquer conflito entre a sua ciência e  a sua crença. Para eles, quanto mais  entendem o Universo, mais admiram  a obra do seu Deus. (São vários.) Mesmo que essa não seja a minha  posição,  respeito os que creem. A ciência não  tem uma agenda contra a religião. Ela  se propõe simplesmente a interpretar  a natureza, expandindo nosso conhecimento do mundo natural. Sua missão é  aliviar o sofrimento humano, aumentando o conforto das pessoas,  desenvolvendo técnicas de produção  avançadas, ajudando no combate às  doenças. O "resto", a bagagem humana que acompanha e inspira o  conhecimento (e que às vezes o atravanca),  não vem da ciência como corpo de saber, mas dos homens e das mulheres  que se dedicam ao seu estudo.&lt;br /&gt; É óbvio que, como já afirmava Einstein, crer num Deus que interfere nos  afazeres humanos é incompatível com  a visão da ciência de que a natureza  procede de acordo com leis que, bem  ou mal, podemos compreender. O  problema se torna sério quando a religião se propõe a explicar fenômenos   naturais; dizer que o mundo tem menos de 7.000 anos ou que somos  descendentes diretos de Adão e Eva, que,  por sua vez, foram criados por Deus, é  equivalente a viver no século 16 ou antes disso. A insistência em negar  os  avanços e as descobertas da ciência é,  francamente, inaceitável. Por exemplo, um número enorme de pessoas se  recusa a aceitar que o homem pousou  na Lua. Quando ouço isso, fico horrorizado. Esse feito, como tantos  outros,  deveria ser celebrado como um dos  marcos da civilização, motivo de orgulho para todos nós.&lt;br /&gt; Podemos dizer que existem dois tipos de pessoa: os naturalistas e os  sobrenaturalistas. Os sobrenaturalistas  veem forças ocultas por trás dos afazeres dos homens, vivendo  escravizados por medos apocalípticos e crenças  inexplicáveis. Os naturalistas aceitam  que nunca teremos todas as respostas.&lt;br /&gt; Mas, em vez de temer o desconhecido,  abraçam essa ignorância como um desafio e não uma prisão. É por isso que   eu durmo bem à noite.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escrito por Marcelo Gleiser na Folha 28/03/2010&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-8565335341005998825?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/8565335341005998825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/marcelo-gleiser-sobre-crenca-e-ciencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/8565335341005998825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/8565335341005998825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/marcelo-gleiser-sobre-crenca-e-ciencia.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-8969648615054256255</id><published>2010-03-15T19:55:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T19:56:01.113-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Finesse&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;   &lt;table width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Algumas  questões são tratadas de forma grosseira porque temos pressa em  resolvê-las  &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O FILÓSOFO francês Blaise Pascal (século 17) dividia a inteligência em  dois tipos de "espíritos". "Espírito", aqui, significa "atividade  intelectual" e não alma penada ou um princípio pessoal e imaterial como  no kardecismo. Os dois tipos são: o espírito geométrico e o espírito de  "finesse".&lt;br /&gt;O primeiro teria como vocação lidar com um grande número de  questões ao mesmo tempo, arranjando-as de modo linear e encadeado, a fim  de gerar deduções lógicas  generalistas e de grande alcance. O  segundo teria uma vocação para o  detalhe e a sutileza, lidando melhor  com um pequeno número de variáveis a cada vez, e fugindo das  generalidades apressadas.&lt;br /&gt;O geométrico ama a pressa e os resultados eficazes, o de "finesse"  cultua a paciência e o cuidado, mas pode ser de eficácia duvidosa.&lt;br /&gt;Normalmente eu tendo para o espírito de "finesse". O problema é que  numa sociedade gigantesca como a  nossa, com problemas de dimensões  estatísticas, o espírito geométrico  tende a devorar a alma. E, por definição, a alma vive mal na geometria.  Seu habitat natural é a "finesse" porque a geometria tende ao grosseiro  quando envolve seres humanos.&lt;br /&gt;Em nossa complexa sociedade, algumas questões são tratadas de forma  grosseira porque nós temos  pressa em resolvê-las ou porque  queremos fazer mentiras passarem  por verdades. E aí, nós caímos num  frenesi geométrico.&lt;br /&gt;Leitores perguntam qual é minha  posição quanto ao tema das cotas  nas universidades. Outros, perguntam-me: "Você é a favor ou contra os  direitos gays?".&lt;br /&gt;O frenesi geométrico tende a dar  respostas afeitas ao gosto de políticas públicas e movimentos sociais.  Respostas geométricas são assim:  "sou a favor" ou "sou contra" cotas  ou direitos gays. E pronto.&lt;br /&gt;Confesso: tenho alergia a esse negócio de "movimentos sociais" e  suspeito muito do caráter de quem  vive sempre metido neles. Não existe algo chamado "multidão do bem",  toda multidão é do mal.&lt;br /&gt;Recentemente ouvi um comercial  no rádio que falava "todos juntos  com uma só vontade e um só objetivo" (algo assim). Sinto um frio na  espinha quando vejo "vontades unidas", pouco importa para quê.&lt;br /&gt;Perdoe-me se isso parece uma falha de caráter, ou, quem sabe, se não  sofri o suficiente na vida até hoje para confiar em multidões do bem, ou   se conheço muitas mulheres bonitas  e que gostam de tomar vinho antes  do sexo. Na vida de um homem, o  que decide sua realização é sempre  sucesso profissional e sucesso com  as mulheres, quem disser o contrário mente. Minha suspeita básica é  de que desde os irmãos Caim e Abel  (Caim matou Abel por inveja do  amor de Deus pelo irmão), detestamos a felicidade no outro.&lt;br /&gt;Mas e as cotas e os direitos gays?  Tentemos uma resposta sem pressa.&lt;br /&gt;Sou contra cotas raciais. Não acredito nessa coisa de dívidas  históricas. Acho que isso serve para intelectuais fazerem carreiras  ideologicamente orientadas (porque as universidades vivem sob repressão  ideológica) e para pessoas politicamente articuladas garantirem seu  futuro burocrático.&lt;br /&gt;Sim, reinos africanos participavam do mercado de escravos e praticavam  escravidão entre eles. Dizer  que a escravidão dos africanos no  Brasil foi uma mera questão de "europeus contra negros" é mentira. E  mais: essa prática de cotas raciais  (racismo "do bem") é tão racista  quanto qualquer outra.&lt;br /&gt;Dizer que reinos africanos e africanos libertos da escravidão no Brasil  participaram do comércio de escravos não é "preconceito contra negros".  Aqueles que afirmam isso o  fazem por má fé.&lt;br /&gt;Sou a favor de cotas em universidades públicas para estudantes de  escolas públicas que se destacam em  sua vida estudantil porque eu acredito em recompensar o mérito.&lt;br /&gt;E os direitos gays? Não acho que  gays devam ter direitos especiais.  Leis que criminalizam gestos e palavras "contra os gays" para mim são  mero fascismo.&lt;br /&gt;Cirurgia para troca de sexo pago  pelo Estado é um abuso para o contribuinte. Acho uma bobagem essa  coisa de "homoafetividade".&lt;br /&gt;É um abuso quando professores  de educação sexual dão bananas para meninos colocarem camisinha  com a boca, como se ser gay fosse  "normalzinho". Deve-se respeitar o  mal-estar das pessoas diante disso, e  querer "formar" mentes nesse nível  não é função da escola.&lt;br /&gt;Entretanto, sendo gays pessoas  comuns, acho que, sim, eles devem  ter o mesmo direito que os outros: o  direito de casar, criar filhos e ser  (in)feliz no amor e na vida como todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo da Folha de 15/03/2010 escrito por Luiz Felipe Pondé&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-8969648615054256255?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/8969648615054256255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/luiz-felipe-ponde-finesse-algumas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/8969648615054256255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/8969648615054256255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/luiz-felipe-ponde-finesse-algumas.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-3388098644238098018</id><published>2010-03-15T16:56:00.001-03:00</published><updated>2010-03-15T16:58:17.223-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;Reinaldo Azevedo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;O filme &lt;i&gt;O Maior Amor do Mundo,&lt;/i&gt;   de Cacá Diegues, que estreou no Dia da Independência, prova que,  "nestepaiz", só o individualismo é mais pecaminoso do que o lucro.  A idéia de que o indivíduo é responsável por seus  atos ofende os órfãos pidões, tutelados pelo Estado. No filme,  o astrofísico Antonio (José Wilker), de volta ao Brasil depois de  fazer carreira nos Estados Unidos, visita o pai adotivo num asilo e  obtém  pistas de sua mãe verdadeira. O útero é metáfora da  pátria. Ele está com câncer e quer unir as duas pontas da  vida. Na busca, o racionalista e um tanto apatetado Antonio se apaixona  pela suburbana  sensual Luciana (Taís Araújo). O clichê celebra sua vitória.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt; Ele, nascido no dia da  derrota do  Brasil para o Uruguai, em 1950 – um mau presságio –, encontra  vitalidade na pobreza edênica, tornada cultura de resistência. Se  tudo começa com a mãe, Diegues manda Freud para o divã do  populismo. A música concilia a razão branca, culpada e de olhos  verdes de Chico Buarque, a contestação integrada do AfroReggae e  pitadas do oficialismo de Gilberto Gil. A câmera lambe as paisagens das  "vastas solidões", como diria o abolicionista Joaquim Nabuco, mas também   as carências da periferia – aquela que Regina Casé, no &lt;i&gt;Fantástico&lt;/i&gt;,   diz ser "o centro". &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt; Não  se  denunciam mazelas, a exemplo do que fazia o antigo Centro Popular de  Cultura (CPC),  da União Nacional dos Estudantes. Elas são antes uma verdade afirmativa.   O CPC cantava "feio não é bonito", "o morro existe, mas pede para  se acabar". Hoje, o morro reivindica identidade. Uma certa Central Única   das Favelas (Cufa) fornece mão-de-obra e metafísica a Diegues. Queremos  ser conscientizados pelo oprimido. No livro &lt;i&gt;Genealogia da Moral,&lt;/i&gt; o  filósofo  alemão Nietzsche vê no servo que reivindica o direito de falar como  servo o fim da civilização. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;  O filme não acredita em indivíduos órfãos de tutela.  Quer uma pátria gregária, como a Cufa. Nos moldes da CUT, ela tem  de filiar "sindicatos" e produzir valores. Antonio se reeduca. A  astrofísica  que se dane com Plutão. Há uma atmosfera de nostalgia do útero  nativista, caboclo, nacional-desenvolvimentista, embora aí, de fato,  esteja  nossa tragédia: o Estado patrão, que faz até cinema por meio  das estatais; o compadrio; as formas renitentes de patrimonialismo... Só   faltava o assalto ao Estado como ideologia não contabilizada. Já  temos. Cineastas sempre têm uma câmera na mão e um Brasil na  cabeça. É de orfandade que tratava o filme &lt;i&gt;Central do Brasil,&lt;/i&gt;  de Walter Salles Jr., lembram-se? O garoto cortava o sertão, deixando  para  trás a cidade, fonte de todo mal, para encontrar o pai. Corolário:  precisamos de alguém que cuide de nós. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;  Enquanto a elite branca de Cláudio Lembo se emperiquitava no sábado  2 para assistir ao show de Chico &lt;i&gt;(Carioca),&lt;/i&gt; uma parte dos  moradores de  Cidade de Deus, no Rio, ia ao comício de Lula, convidado pela... Cufa!  O PT laçou jovens, etnias de exceção e crianças assistidas  por programas federais para dar testemunho em favor do pai-presidente. À   moda das igrejas neopentecostais – como respeitar religiões mais jovens  do que um bom uísque? –, os filhos de Lula foram lá narrar  a sua vida antes e depois da adoção. O presidente violava o Estatuto  da Criança e do Adolescente e a Lei Eleitoral. E daí? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="texto"&gt;  Ninguém quer ensinar Mozart ou Kant aos pobres. Eles têm de aprender  batuque, funk e rap. É batata: há uma relação inversamente  proporcional entre a variedade de instrumentos de percussão e saneamento   básico. Onde excedem o "baticumbum" e os versos de pé quebrado,  falta água encanada. E sobejam verminoses. Do esquerdismo bocó da  década de 60 para o populismo de exaltação de hoje, o feio  se tornou bonito. Só não abrimos mão da orfandade pidonha  – que é a morte do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo da Veja ed.1973 13/11/2006 escrito por Reinaldo Azevedo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-3388098644238098018?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/3388098644238098018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/reinaldo-azevedo-o-filme-o-maior-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3388098644238098018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/3388098644238098018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/reinaldo-azevedo-o-filme-o-maior-amor.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-191835853514815812</id><published>2010-03-09T21:45:00.000-03:00</published><updated>2010-03-09T21:46:48.380-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>TOSTÃO&lt;br /&gt;Troca de panetones&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No futebol, na política e em parte da sociedade, predominam o clientelismo, o corporativismo e o nepotismo&lt;br /&gt;MÁRIO SÉRGIO , ex-técnico do Inter, falou, no programa "Arena Sportv", que se sentiu ofendido por eu lhe ter chamado de professor Pardal. Não quis ofendê-lo. Apenas repeti, com ironia, o que tantos dizem, que ele inventa demais.Já chamei Adilson Batista de professor Pardal, e ele não se ofendeu. Aliás, foi o próprio técnico quem primeiro falou que agiu como um professor Pardal, ao fazer uma estranha substituição em um jogo do Cruzeiro. Adilson Batista é hoje um dos principais treinadores brasileiros. De vez em quando, tem uma recaída.Uma coisa é o treinador que inventa demais, que faz alterações inexplicáveis, que acha que apenas ele entende de futebol, e que começa e termina a carreira como professor Pardal. Outra é o técnico inquieto, criativo, que sabe muito, que tenta encontrar soluções diferentes, algumas no momento errado. Este, com o tempo, vai se tornar um grande treinador. No início de carreira, é difícil separá-los.Mário Sérgio, no mesmo programa, disse que me deu apoio quando comecei a trabalhar de comentarista, na TV Bandeirantes. É verdade. Não só ele, como Gérson e Rivellino, companheiros na seleção de 1970, que também me apoiaram.Por termos trabalhado juntos, Mário Sérgio reclamou de minhas críticas e ainda, mesmo sem dizer textualmente, me cobrou uma dívida por ter me tratado bem. Alguns (poucos) treinadores, dirigentes e atletas também já reclamaram. Por eu ter sido um jogador, acham que eu deveria ser menos crítico e mais condescendente, como fazem alguns ex-atletas comentaristas.Por ter sido um jogador importante da história do Cruzeiro, alguns dirigentes já reclamaram de minhas críticas e de minha ausência em eventos do clube.Não vou a esses e a outros encontros, no Cruzeiro e em outros lugares, porque não quero perder a liberdade e a independência de criticar e elogiar.Esses jogadores, dirigentes e técnicos que reclamam confundem passado com presente, relações profissionais com corporativismo, o que não faz mais sentido, pois parei de jogar há 37 anos. Tenho outra atividade e a obrigação de ser imparcial. De minha carreira de jogador, muitos atletas atuais só sabem que atuei ao lado de Pelé.As mesmas duras críticas, feitas por comentaristas que não foram atletas, são geralmente mais aceitas e toleradas que as minhas.O mundo do futebol é parecido com o da política e de parte da sociedade. O Brasil é o país da troca de favores, do "é dando que se recebe", das patotas, do corporativismo e do nepotismo.Cada vez mais, as pessoas não se preocupam em ter amigos, ser amadas e ter bons relacionamentos pessoais. Querem ser admiradas, bajuladas e ter ótimas relações profissionais. Só pensam na carreira e no sucesso.A troca maquiavélica de favores é caminho para a corrupção, outra praga nacional. O corrupto se relaciona muito bem com outro corrupto. Adoram trocar panetones.O corrupto costuma ser tão social, tão gentil, que até parece ser sério. Para diminuir bastante a corrupção, não bastam duras leis. É necessário também diminuir a promiscuidade social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo da Folha de 13/12/2009 escrito por Tostão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-191835853514815812?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/191835853514815812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/tostao-troca-de-panetones-no-futebol-na.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/191835853514815812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/191835853514815812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/tostao-troca-de-panetones-no-futebol-na.html' title=''/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337714532313258158.post-2908456624164835480</id><published>2010-03-09T21:19:00.000-03:00</published><updated>2010-03-09T21:48:39.201-03:00</updated><title type='text'>Comentário/"Deus, um Delírio</title><content type='html'>Comentário/"Deus, um Delírio"Livro de Richard Dawkins não passa de libelo político&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ&lt;br /&gt;ESPECIAL PARA A FOLHA&lt;br /&gt;Falta nessas pessoas que teimam em ser profetas um pouco daquela sabedoria discreta que encontramos em gente como Fernando Pessoa: o improvável Deus nos protege da fé grosseira em ídolos com cabeça de bicho, como o culto da Humanidade, "mera idéia biológica". Pouco céticas e muito dogmáticas, elas confundem coisas como a salutar disciplina cética com o ateísmo. Como diria Chesterton, quando deixamos de acreditar em Deus, acabamos crendo em qualquer bobagem. A humanidade é mais infeliz do que imagina nossa vã filosofia da emancipação. O novo livro de Richard Dawkins (que parece ser aquele tipo de cara que ainda acha que o ateísmo mete medo em gente grande), "Deus, um Delírio", não é ciência, mas mero libelo político (ateísmo científico é um contra-senso, Deus é uma variável sem controle epistemológico), uma recaída na velha fúria jacobina, requentada com máximas evolucionistas. Lembremos que não existem cosmologias de laboratório. Afirmações como "tenha orgulho de ser ateu e olhe o futuro com confiança" soam bem num workshop para auto-estima. Seu foco são as utopias modernas de salvação: não é por acaso que flerta com alguns dos totalitarismos mais sofisticados de nossa época, entre eles, aqueles, aliás, que "melhoraram muito" as relações entre homens e mulheres, esmagado-as sob a bota do ressentimento típico da desconstrução social genérica. O livro vende o darwinismo como teoria "progressista" (grande intuição marqueteira), por isso suas alusões a "sair do armário", tentando convencer a sensibilidade de esquerda que o darwinismo não é mais perigoso. A alma desassossegada indaga: além da parada dos ateus, serei processado se disser em público que acredito em Deus? Quem é o bobo que acredita que, sem Deus, o ser humano mataria menos? Sem o fundamentalismo islâmico (supõe-se), as torres gêmeas estariam lá, mas e os milhões de mortos em nome da ciência, da humanidade e da história nos séculos 18, 19 e 20? De Stálin a Fidel, de Robespierre a Mao Tse-tung, todos seduziram a "inteligência atéia". O ateísmo político domina a sensibilidade "pop-inteligente" há décadas, questões como a alegre legalização do aborto, a "revolta poético-científica do desejo", a metafísica materialista e a ignorância filosófico-religiosa provam isso. Ateísmo mais eleganteQuase todos crêem no "produto emancipação". Deus não garante o "Bem" (nenhuma teologia séria pensa isso), nem o ateísmo a inteligência ou a ética. Gostamos de matar e pronto. Dawkins procura seduzir exatamente o tipo de pessoa covarde que não gosta de saber disso sobre si mesma e, com isso, minimiza uma grande qualidade do darwinismo filosófico: sua percepção trágica da vida na qual somos areia que um dia abriu os olhos e que balbucia sozinha diante da indiferença furiosa de um universo mudo e sonambúlico imerso no acúmulo de design cego (supremo conceito que descreve a emergência da "ordem" em meio à cegueira da matéria). Todavia, reconheçamos que ele acerta ao dizer que a "religião inteligente" pouco tem feito diante da violência fundamentalista e do Mac-Jesus. Mas seria Deus que nos faz gostar de matar e sermos banais como qualquer animal que se arrasta no pó? A inteligência se faz vítima do ruidoso mundo da democracia militante de massa. Este livro é a prova, ao tentar fazer do darwinismo uma teoria palatável à massa medrosa: se deixarmos de acreditar em Deus, seremos mais felizes... Quem disse que a beleza vencerá? O darwinismo é, filosoficamente, o ateísmo mais elegante que existe, nada prova sobre Deus, mas pelo menos não incorre no elementar erro do marxismo, que confunde representações sociais com o problema da ordem cósmica. Diante desse ruído, ainda que me considerem cético demais, confesso: prefiro Fernando Pessoa e Deus.&lt;br /&gt;LUIZ FELIPE PONDÉ é filósofo, professor da PUC-SP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo da Folha de 01/09/2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337714532313258158-2908456624164835480?l=artwebhoje.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artwebhoje.blogspot.com/feeds/2908456624164835480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/comentariodeus-um-delirio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/2908456624164835480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337714532313258158/posts/default/2908456624164835480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artwebhoje.blogspot.com/2010/03/comentariodeus-um-delirio.html' title='Comentário/&quot;Deus, um Delírio'/><author><name>ArtWeb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04266087320249440829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
